Máquinas, máquinas e máquinas!

Aqui em Madrid desde minha chegada fico cada vez mais encucado com a quantidade de máquinas que existe. Nada que não seja “normal” para um país industrializado como a Espanha. Sobretudo na capital, em que as pessoas estão sempre correndo e querendo ganhar tempo em tudo, tendo que comer e fazer coisas rápidas e cada vez mais fáceis.

Talvez para quem seja de São Paulo ou Rio de Janeiro – cidades mais industrializadas no Brasil – seja mais comum, mas no meu Cerrado as coisas ainda não andam como cá nesse sentido.

É máquina para tudo. Existem máquinas para comprar cigarros, máquinas para comprar água, sanduíches, chocolates, cafés e até para tirar foto 3×4! A pessoa chega, coloca o dinheiro e se posiciona no local indicado, aperta um botão e lá está: em poucos minutos (exatamente 2 minutos) você tem sua fotinha. E ainda tem direito a trocar antes de imprimir se não ficar boa. Aí eu me pergunto, e onde estão os chamados lambe-lambe das rodoviárias? Aqueles que dizem: “Fotos 3×4 em 5 minutos”; com aquela qualidade incrível! 🙂

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Máquinas para comprar bilhetes de metrô, trem e ônibus; Máquinas para lavar o carro, onde o motorista para, coloca o dinheiro, deixa seu carro ali e em alguns minutos sai limpinho. E os lava a jatos? Cadê? Aqueles que os caras colocam mais 10 carros na sua frente se você não estiver presente?!

Máquinas para visitar os pontos turísticos da cidade (Segway) e até máquinas para vender livros. Neste caso do livro eu acho muito bom, pois populariza e incentiva a leitura seja onde for.

Segway

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Estas máquinas estão por todos os lados: metrôs, Bibliotecas, Faculdades, Restaurantes, Rodoviárias, etc.

O nível de mecanização e tecnologia já atingiu níveis altíssimos nos países “desenvolvidos”, principalmente nos grandes centros urbanos. Se aqui a realidade é essa, fico imaginando a Alemanha, um dos países que mais investe e gera tecnologia no mundo. Outro dia entrei em um café, bem próximo ao museu do Prado, e quando fui ao banheiro tinha que colocar uma senha para abrir a porta. Foi como naqueles filmes de investigações e informações secretas, em que a porta se abre da forma mais impressionante possível, só faltou sair a fumacinha por baixo.

E aí novamente eu me pergunto, até que ponto chegaremos com as máquinas?

Se existe alguém que leva vantagem em ter esta quantidade de máquinas sem dúvidas são as grandes empresas, pois a máquina faz os serviços mais “eficientes”, em menor tempo e sem riscos ou perigos de corrupções. Além de não precisar mais de pessoas, isto é, mais gastos etc e etc. A enorme tecnologia aplicada para a geração de máquinas é uma das características mais fortes do sistema capitalista, onde o produto é sempre fácil de se alcançar, ou seja, a ideia é que seja fácil consumir seja onde a pessoa estiver. Ahh, e claro, todos os produtos necessariamente industrializados!

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Concordo que inicialmente as máquinas foram criadas para trazer mais comodidade e conforto para as pessoas, proporcionando mais tempo de lazer e qualidade de vida para a sociedade. Realmente existem muitas inovações em máquinas que nos oferece tudo isso citado, mas não sei se as coisas são tão bonitas assim.

Fico imaginando como será daqui uns 50 anos. Teremos tantas máquinas que não iremos precisar fazer muitas coisa; E o grande problema é que cada vez mais estamos nos distanciando das relações entre as pessoas, ou seja, estamos cada vez mais ficando individualistas, mais isolados. Sem falar de toda a problemática da perda de empregos e suas consequências geradas – Espanha, Portugal e Grécia que os diga. Ou seja, quando colocam-se somente máquinas para vender bilhetes do metrô acabam-se milhares de trabalhos, atingindo centenas e milhares de famílias; Outra problemática surge,com a questão das próprias relações sociais das pessoas no trabalho  – as conversas na hora do café, a pausa para o almoço, etc e etc.

Imagino que chegará um dia nas grandes cidades em que as pessoas não precisarão caminhar para conhecer os lugares ou andar pela cidade, pois terão as máquinas que os levam em menor tempo – e o melhor, não cansa!; não precisarão mais comprar água na padaria ou nos quiosques, pois as máquinas são muito mais fáceis e não precisa “perder tempo” e por aí vai.

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Acho que em algumas regiões do Brasil ainda vai demorar um tempo para isso acontecer. Ou talvez não. Enfim, quis trazer esse tema para colocar em reflexão para onde estamos indo e quais as consequências e implicações que isso gera. Aqui no velho mundo e no país do Tio Sam (pioneiro nessa questão) isso já é uma realidade, que vem causando muita polêmica e controvérsias. Talvez muitos são a favor disso tudo e eu que não devo estar acostumado com o mundo da “automatização”.

Deixo para reflexão um trecho das palavras de Chaplim:

“Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido”. 

Gostaria de saber o que vocês que pensam sobre o conteúdo deste post; Comentem, critiquem, escrevam!! 😉

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5 respostas para Máquinas, máquinas e máquinas!

  1. Lais Dumont disse:

    Olá João, estou muito encantada com todos os seus posts, li todos eles hoje. Sinto uma enorme vontade de fazer intercâmbio na Alemanha, sei que seus posts são da Espanha, mas eles me deixaram mais entusiasmada para realizar meu desejo. Certamente nem tudo são flores, mas é uma experiência que vale muito a pena, né? Rsrs. Seu trabalho voluntário no WWOOF também me despertou atenção, adoro a vida no campo e me sinto muito bem ajudando os outros. Espero que eu consiga a bolsa do CSF e que possa passar por essa mesma experiência sua. Beijos e tudo de bom!

    • joaocarlosmp disse:

      Laís,

      É muito bom saber que as mensagens compartilhadas aqui estão sendo úteis para as pessoas, ainda que a falta de tempo tem me impedido de postar outros textos. Muito obrigado à você por participar! Quanto ao intercâmbio, com certeza é uma experiência enriquecedora, mas carece de muita paciência e coragem para as dificuldades que virão (de todos os tipos que podemos imaginar), e é nesse momento que a experiência te surpreende.
      Espero muito que você consiga ir para a Alemanha.
      Abraço!!

  2. Jaciara Damiani disse:

    Oi João, estudo frances e já passei 3 semanas estudando em Paris.Mas tenho vontade de ir para algum lugar no campo, trabalhar em troca de experiências. Achei muito interessante tuas experiências. Será que poderíamos nos falar por email?

  3. Jaciara Damiani disse:

    Oi João, estudo frances e já passei 3 semanas estudando em Paris.Mas tenho vontade de ir para algum lugar no campo, trabalhar em troca de pensão. Achei muito interessante tuas experiências. Será que poderíamos nos falar por email?

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