Impressões

No primeiro mês e alguns dias em Madri já tenho algumas reflexões que gostaria de compartilhar com vocês. Na verdade eu gostaria ser daquelas pessoas que andam com um caderninho de baixo do braço, anotando tudo que vê, assim como fazia o grande Guimarães Rosa com suas anotações do nosso sertão mineiro. Logicamente não teria a capacidade de criação e a imensa beleza da escrita deste magnífico escritor, mas se eu  conseguisse anotar somente alguns escritos importantes já estaria feliz.

Mas, voltando ao assunto principal, muitas coisas tenho observado nesta cidade, tanto coisas boas quanto coisas ruins. Assim como todas as coisas que existem no mundo sempre há o lado positivo das coisas e o lado  negativo. A primeira coisa que gostaria de trazer é que muitas vezes a gente imagina que nossa cidade ou o bairro onde vivemos é ruim, ou ainda mais, as vezes falamos que nossa região não é “desenvolvida” e até que nosso país é inferior a muitos outros países como os EUA e a Europa. Com certeza alguém já escutou algo assim, seja na escola, na parada do ônibus, na internet, etc.

Entretanto, penso que temos que ser cautelosos e primeiro pensar em qual parâmetro que estamos analisando. Pois existem muitas coisas que são relativas. Por exemplo, se formos analisar o transporte público de Madri (capital da Espanha) com o de Brasília (capital do Brasil), com toda a certeza  temos que repensar e avançar em muitas coisas. Por outro lado, temos também que levar em consideração a idade das duas cidades – Madri é do século IX e Brasília tem pouco mais de 50 anos. Ou seja, há a necessidade de analisar o contexto em que as duas cidades se encontram. E este é um exemplo pontual, isto é, duas cidades distintas.

Vendo por outro lado e trazendo para um aspecto mais amplo e generalista, no que diz respeito a recepção e alegria das pessoas, creio que o povo brasileiro tem muito mais o que mostrar (pelo menos para os espanhóis, salvo exceções). Mas aqui caio na mesma questão do relativo, pois talvez isso pode ser questões culturais do Europeu, que por nós brasileiros são considerados mais “frios”.

As vezes tenho a impressão de que nós temos sentimento de inferioridade, em relação aos países mais “desenvolvidos”. Para terminar, acho que o importante é termos consciência de que cada país e cada cidade tem suas realidades, seus defeitos e suas virtudes. Temos que reconhecer nossas deficiências e sermos realistas com nós mesmo, assim como valorizar a nossa cultura, a nossa região e falar com orgulho e cabeça erguida as nossas qualidades. Eu não trocaria a minha cidade (Brasília) por Madri, mesmo reconhecendo que aqui existem coisas belíssimas. Além disso, existem outras questões importantes e que são inerentes a qualquer parâmetro físico, como a identidade que cada um tem entre o seu povo, sua região e a sua terra amada.

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