Experiência WWOOF – Anlhiac / França

Tudo começou quando uma colega me comentou sobre o WWOOF. Outras vezes já tinha ouvido falar de pessoas que faziam vivências no campo em diversos países. Entretanto, ainda não tinha claro quais eram os objetivos de tais experiências.

A partir de então, comecei a pesquisar sobre WWOOF na internet e encontrei muitas coisas que me chamaram atenção. Encontrei que se tratava de uma rede de pessoas que partilhavam experiências no campo, com o objetivo de trocar conhecimentos, costumes e saberes da agricultura ecológica e orgânica.

Eu, que me encontrava já em grandes aventuras por causa do intercâmbio na Espanha, decidi então participar de mais essa vivencia. Primeiramente porque sempre tive muita relação com o campo, desde quando trabalhava e vivia com meus pais em chácara, plantando, colhendo, entre outras coisas. Segundo porque eu precisava conhecer a Europa profunda, interiorana, das pessoas do campo, dos povoados e vilarejos.

Foi então que eu decidir ir para a França, pois sempre tive curiosidade em conhecer o interior deste país, não sei porque. A partir daí busquei na internet:  WWOOF – FRANCE e me saíram uma diversidade de lugares que recebem WWOFings (denominação da pessoa que está participando). Como não tinha noção de quais destas regiões ir, abri o mapa da França, fechei os olhos e cliquei numa região. Me saiu um Estado ou Department chamado Dordogne, no sudoeste da França, mais exatamente perto da cidade de Perigeux. Pois bem, a partir daí teoricamente já teria o meu lugar para a experiência WWOOF.

Havia uma lista com a descrição das propriedades rurais – farmhouse. Enviei e-mails para um par de pessoas em busca da acolhida. Não estava muito confiante, pois a data que eu desejava ir era um pouco incomum – justamente no natal e ano novo, tradicionalmente familiar. Entretanto, já no dia seguinte Leni Dipple me responde dizendo que seria uma experiência boa me receber em seu povoado, isto é, em Anlhiac – Bournier.

E assim eu fui, no dia 21 de Dezembro peguei um ônibus com destino a Perigeux – França. Fiz questão de fazer a viagem de ônibus, para aproveitar cada paisagem e cada momento. Foram duras e bonitas 11 horas de viagem. Nas diversas paradas do ônibus, conheci gente viajando para todos os lugares da Europa – Suíça, França, Alemanha, Itália, Holanda, etc. Pessoas comuns, senhores e senhoras, trabalhadores, desempregados, estudantes viajando para ver seus familiares no natal, imigrantes e turistas.

Chegando em Perigeux tive o grande prazer de conhecer Leni Dipple. Leni é uma simpática senhora inglesa, que fala muito bem português e vive em uma aconchegante casa de campo muito antiga, construída em 1792, em uma vila chamada Anlhiac. Conhece o mundo, viajou por diversos lugares do planeta, viu muita coisa. Estudou idiomas e fez licenciatura. Ela e seu já falecido marido, tiveram uma famosa loja de Jazz em Londres, nas décadas de 70, 80 e início de 90. Ali foi, como ela mesmo diz; “onde ganhou a vida”. É Poetisa desde muito tempo, apaixonada pela natureza e pelas belas artes, pela música (especialmente Jazz), pela vida no campo e grande apreciadora da literatura brasileira – sobretudo de Guimarães Rosa (olha a coincidência).

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Ela tem uma pequena produção orgânica em seu quintal. Produz algumas hortaliças, frutas (peras e maçãs deliciosas) e tem alguns pés de Nozes (nogueiras). Leni chega a colher mais de 100 kg de nozes por ano. Muito dessa produção é para seu consumo próprio, faz bolos e suas maravilhosas receitas. O excedente, ela aproveita para fazer seu produto, isto é, o riquíssimo óleo de nozes. Este óleo é muito apreciado em sua região. É um dos principais trabalhos locais e que gera renda para os produtores. Muitos vendem o saco de nozes ou vendem o óleo, que é feito de forma comunitário, num antigo moinho local. Fiquei encantado sua produção, pois é muito bom saber que a agricultura ecológica (ou orgânica) está presente no campo e faz parte da vida de muitas pessoas, mesmo com todas as dificuldades encontradas pelo caminho.

Bom, para resumir, os 15 dias em Anlhiac foram intensos. Muitas ideias foram trocadas, acompanhadas com bons vinhos e riquíssimos queijos da região;  também de bons cafés e chás pelas bonitas tardes; Sem falar nas caminhadas pelas florestas e bosques e pelas seculares vilas carregadas de histórias (vejam o vídeo abaixo). Participamos de yoga, concerto de piano e canto, enfeitamos árvore de natal, cozinhamos juntos, lemos poemas juntos, escutamos musicas clássicas, Jazz, MPB, Bossa nova, Rock, rimos juntos, escutamos o barulho do rio, da floresta, admiramos o pôr do sol … ficamos “encantados”.

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Das muitas coisas que aprendi em Anlhiac, uma delas é em relação ao tempo e a vida no campo. Lá o tempo é outro, as pessoas e suas atividades seguem outro ritmo, outro padrão. Embora muitas pessoas acham o contrário, a vida no campo é muito dinâmica, muito viva! Apenas segue outro ritmo. E não é verdade que é sinônimo de atraso ou antiquado, isto depende do ponto de vista de e de opções de cada um.

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Nesses 15 dias de vivência, conheci e aprendi coisas que aos 23 anos ainda não tinha vivido. Ali, entre as diversas caminhadas e passeios nas vilas; entre um café e outro, conheci as pessoas do campo, suas vidas e costumes. Gente simples, humilde, gente comum, que leva a vida em contato direto com a natureza, em harmonia; respeitando-a; sendo e fazendo parte da natureza.

Agora mais do que tudo vejo que sempre temos que escutar as pessoas mais velhas, os senhores e senhoras, seja no campo ou na cidade. Elas são a vida vivida, carregam consigo aprendizados e conhecimentos riquíssimos ao longo de suas jornadas pela vida. Experimentemos então, sentar em uma cadeira e ouvir um pouco o que as pessoas pensam da vida; Aí então, nos surpreenderemos profundamente!

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Recomendo para qualquer pessoa passar um tempo no campo e perceber algumas coisas simples da vida; respirar ar puro, renová-los nos pulmões; enxergar novas paisagens e até admirar um simples pôr do sol!

Ps.: Esse relato é uma tentativa de passar um pouco da experiência vivida na França, embora sei que nunca irei atingir este objetivo, visto que muitas coisas são indescritíveis, porque são intensas de mais para ser relatadas;

Leni Dipple, esse post é um agradecimento à sua bondade. Obrigado!

 “A felicidade se acha é em horinhas de descuido”

Guimarães Rosa

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Máquinas, máquinas e máquinas!

Aqui em Madrid desde minha chegada fico cada vez mais encucado com a quantidade de máquinas que existe. Nada que não seja “normal” para um país industrializado como a Espanha. Sobretudo na capital, em que as pessoas estão sempre correndo e querendo ganhar tempo em tudo, tendo que comer e fazer coisas rápidas e cada vez mais fáceis.

Talvez para quem seja de São Paulo ou Rio de Janeiro – cidades mais industrializadas no Brasil – seja mais comum, mas no meu Cerrado as coisas ainda não andam como cá nesse sentido.

É máquina para tudo. Existem máquinas para comprar cigarros, máquinas para comprar água, sanduíches, chocolates, cafés e até para tirar foto 3×4! A pessoa chega, coloca o dinheiro e se posiciona no local indicado, aperta um botão e lá está: em poucos minutos (exatamente 2 minutos) você tem sua fotinha. E ainda tem direito a trocar antes de imprimir se não ficar boa. Aí eu me pergunto, e onde estão os chamados lambe-lambe das rodoviárias? Aqueles que dizem: “Fotos 3×4 em 5 minutos”; com aquela qualidade incrível! 🙂

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Máquinas para comprar bilhetes de metrô, trem e ônibus; Máquinas para lavar o carro, onde o motorista para, coloca o dinheiro, deixa seu carro ali e em alguns minutos sai limpinho. E os lava a jatos? Cadê? Aqueles que os caras colocam mais 10 carros na sua frente se você não estiver presente?!

Máquinas para visitar os pontos turísticos da cidade (Segway) e até máquinas para vender livros. Neste caso do livro eu acho muito bom, pois populariza e incentiva a leitura seja onde for.

Segway

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Estas máquinas estão por todos os lados: metrôs, Bibliotecas, Faculdades, Restaurantes, Rodoviárias, etc.

O nível de mecanização e tecnologia já atingiu níveis altíssimos nos países “desenvolvidos”, principalmente nos grandes centros urbanos. Se aqui a realidade é essa, fico imaginando a Alemanha, um dos países que mais investe e gera tecnologia no mundo. Outro dia entrei em um café, bem próximo ao museu do Prado, e quando fui ao banheiro tinha que colocar uma senha para abrir a porta. Foi como naqueles filmes de investigações e informações secretas, em que a porta se abre da forma mais impressionante possível, só faltou sair a fumacinha por baixo.

E aí novamente eu me pergunto, até que ponto chegaremos com as máquinas?

Se existe alguém que leva vantagem em ter esta quantidade de máquinas sem dúvidas são as grandes empresas, pois a máquina faz os serviços mais “eficientes”, em menor tempo e sem riscos ou perigos de corrupções. Além de não precisar mais de pessoas, isto é, mais gastos etc e etc. A enorme tecnologia aplicada para a geração de máquinas é uma das características mais fortes do sistema capitalista, onde o produto é sempre fácil de se alcançar, ou seja, a ideia é que seja fácil consumir seja onde a pessoa estiver. Ahh, e claro, todos os produtos necessariamente industrializados!

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Concordo que inicialmente as máquinas foram criadas para trazer mais comodidade e conforto para as pessoas, proporcionando mais tempo de lazer e qualidade de vida para a sociedade. Realmente existem muitas inovações em máquinas que nos oferece tudo isso citado, mas não sei se as coisas são tão bonitas assim.

Fico imaginando como será daqui uns 50 anos. Teremos tantas máquinas que não iremos precisar fazer muitas coisa; E o grande problema é que cada vez mais estamos nos distanciando das relações entre as pessoas, ou seja, estamos cada vez mais ficando individualistas, mais isolados. Sem falar de toda a problemática da perda de empregos e suas consequências geradas – Espanha, Portugal e Grécia que os diga. Ou seja, quando colocam-se somente máquinas para vender bilhetes do metrô acabam-se milhares de trabalhos, atingindo centenas e milhares de famílias; Outra problemática surge,com a questão das próprias relações sociais das pessoas no trabalho  – as conversas na hora do café, a pausa para o almoço, etc e etc.

Imagino que chegará um dia nas grandes cidades em que as pessoas não precisarão caminhar para conhecer os lugares ou andar pela cidade, pois terão as máquinas que os levam em menor tempo – e o melhor, não cansa!; não precisarão mais comprar água na padaria ou nos quiosques, pois as máquinas são muito mais fáceis e não precisa “perder tempo” e por aí vai.

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Acho que em algumas regiões do Brasil ainda vai demorar um tempo para isso acontecer. Ou talvez não. Enfim, quis trazer esse tema para colocar em reflexão para onde estamos indo e quais as consequências e implicações que isso gera. Aqui no velho mundo e no país do Tio Sam (pioneiro nessa questão) isso já é uma realidade, que vem causando muita polêmica e controvérsias. Talvez muitos são a favor disso tudo e eu que não devo estar acostumado com o mundo da “automatização”.

Deixo para reflexão um trecho das palavras de Chaplim:

“Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido”. 

Gostaria de saber o que vocês que pensam sobre o conteúdo deste post; Comentem, critiquem, escrevam!! 😉

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Fim de Ano WWOOF

Fala galera, beleza? Eu sei que faz um tempinho que não escrevo aqui e não é por falta de vontade, mas sim por falta de tempo e pelas atividades cotidianas que nos tiram todos aqueles tempinhos vagos. Aqui em Madrid as aulas seguem a todo vapor e o fim do semestre ou quatrimestre  só acontece no fim de Janeiro. É nessa época que estão fazendo as provas finais e entregando os últimos trabalhos. Isto quer dizer que eles passam o Natal e ano novo sem aquele nosso sossego de fim de ano, pois terão que estudar para as últimas provas.
Estou com muitas histórias na cabeça e preciso compartilhar com vocês. Acabo de chegar de uma viagem à Marrocos e minha cabeça está a mil. Esta viagem foi extraordinária e tenho muito o que contar para vocês. Foi uma experiência inesquecível!

Este fim de ano passarei fora da Espanha. Estou indo para uma outra experiência  chamada WWOOF . Para quem não conhece  WWOOF  é organização mundial que reúne pessoas que trabalham de forma voluntária com outras pessoas que geralmente vivem no campo e praticam a agricultura ecológica. Estas pessoas realizam produções orgânicas, agroflorestas, permacultura, etc. Se trata de vivência em um determinado lugar (casa, fazenda, sítio) com famílias ou pessoas que estão querendo resgatar os valores e princípios do campo e as relações sociais e urbanas.

Geralmente o anfitrião – dono da propriedade – dá a comida e o lugar para dormir. Em troca você terá que ajudar no que der e vier. Se a fazenda produz queijo você tem que ajudar a fazer queijo, se fazem plantações você terá que plantar, capinar, enfim, são diferentes lugares e diferentes atividades.

Acontece no mundo todo, desde a Austrália, Brasil, Alemanha, Inglaterra, África, Canada, EUA, entre outros. É uma experiência fantástica, pois você tem a oportunidade de conhecer novas culturas e costumes diferentes; tudo através de uma outra percepção, não só aquela turística mas também as relações entre as pessoas no seu dia a dia.

Eu estou indo para uma vila no interior da França, próximo a Bourmier. Ali vou passar 14 dias, incluindo o natal e o ano novo. Lá vou estar com uma senhora e um senhor que produz hortaliças e algumas macieiras de forma orgânica. Nada melhor que conhecer um país vivendo a  realidade das pessoas que vivem ali. Recomendo esta experiência para todas as pessoas que gostam de viajar e conhecer novos mundos, mas com uma condição: tem que estar aberto para viver tudo o que a experiência oferecer!

Para quem quiser saber mais sobre o WWOOF, dá uma olhadinha nesses links e assistam os videos:

http://www.wwoof.net/
http://pt.wikipedia.org/wiki/WWOOF


Eu vou ficando por aqui. Espero que todos tenham um ótimo fim de ano, com muitas comemorações no natal e mais ainda no ano novo. Espero que a entrada deste novo ano traga muitas alegrias e conquistas para todas as pessoas que lutam e que sonham. Que o próximo ano seja repleto de amor e solidariedade entre todas as pessoas. Um abraço especial para minha família e tod@s amig@s!!!

FELIZ NATAL E ANO NOVO!!!! 😉

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Lixo

Todo mundo sabe que um dos grandes problemas das cidades grandes é a questão do lixo. São toneladas e toneladas de resíduos” que todos os dias geramos por consequência de nossas atividades cotidianas. Bom, aqui em Madri, parece que o problema tem sido resolvido, e bem resolvido, de formas inteligentes e bem pensadas.
Salvo essas últimas duas semanas em que Madri enfrentou a greve dos coletores de lixo – onde a cidade ficou literalmente suja com lixos espalhados por todas as ruas e praças – as ruas de Madri eu as considero limpas. Nem tanto, mas comparados com algumas cidades grandes do Brasil, acho satisfatório. Na verdade, em comparação com Brasília (plano piloto), acho que está no mesmo nível. Mas também, os próprios espanhóis reconhecem que há cidades mais limpas, como Barcelona e outras tantas da Europa.

Pois bem, falando um pouco das ruas, a estratégia aqui não é nova, mas diversas vezes já mostrou que dá certo. Se trata de espalhar lixeiras para todos os lados da cidade. Isso mesmo, encher a cidade de lixeiras; aqui em qualquer lugar que você esteja sempre irá encontrar uma lixeira por perto, seja numa praça, perto do mercado, no caminho da faculdade, no estacionamento, enfim, em todos os cantos há lixeiras. Segundo a minha contagem, a cada 40 metros eu encontro uma lixeira – repito: em todos os lugares!  A foto abaixo mostra a distancias entre as lixeiras.

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Essa é uma estratégia que força as pessoas a terem o costume de não jogar o lixo na rua, mas sim nas lixeiras. Algumas pessoas podem falar: “Ah, mais o povo tem que ser educado”. Sim, aí está, a educação das pessoas em jogar o lixo na lixeira é feita de forma forçada! Mas funciona. Ou seja, se a pessoa está comendo um salgadinho ou uma bala ela dá alguns passos e logo encontra uma lixeira ao seu lado, isto é, não precisam desviar seus caminhos para procurar uma lixeira. E assim, as pessoas criam o costume de só jogarem o lixo na lixeira, mantendo as ruas limpas.

Outra coisa interessante, é que estas lixeiras não são lixeiras “comuns”. Elas possuem além do compartimento para pôr o lixo comum, um espaço para as guimbas de cigarro e um outro compartimento que vem com pequenas sacolinhas para as pessoas recolherem as fezes dos seus cachorros, evitando assim, que as ruas estejam com guimbas de cigarro e cocôs de cachorros (ver foto).

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Além dessas lixeiras, em cada quarteirão – ou a cada 2 quarteirões – estão distribuídos containers que são separados por tipo de lixo (papeis, vidros e plásticos).

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Entrando na questão da coleta seletiva, pelo menos aqui em Madri, parece que funciona bem. Nestes containers qualquer pessoa pode depositar seu lixo (separado), para depois o caminhão correspondente aquele tipo de lixo vir e recolhe-lo (vídeo abaixo). Nas casas as pessoas são obrigados a separar seu lixo e, se não separam pagam multas (não são baratas!). Cada dia da semana há o tipo de lixo certo que os caminhões passam recolhendo. Por exemplo, o lixo com plásticos e vidros é recolhido na segunda-feira, na terça é a vez dos papéis, na quarta novamente plásticos e vidros e assim por diante. O lixo orgânico é recolhido todos os dias, exceto nos domingos.

Se aqui em Madri já é bom, em Barcelona é melhor ainda. Ali eles tem um sistema subterrâneo de coletores de lixos que é incrível. Deixo abaixo um vídeo que saiu no jornal, onde mostram este inteligente sistema.

 Trazendo a análise para Brasília, é vergonhoso não termos sequer a coleta seletiva e muito menos um aterro sanitário adequado para o nosso lixo. Se não me engano agora que estão construindo um decente, depois de mais de 50 anos da criação da cidade. Pela gravidade e importância do tema, isto deveria ser uma das primeiras ações ao se construir uma cidade deste tamanho.

Contudo, acho que o mais válido é sabermos que podemos sim ter um sistema de conscientização e descarte do lixo. Não digo que precisamos de um sistema subterrâneo como Barcelona, mas vamos lá, comecemos então distribuindo lixeiras por toda a cidade e vejamos o que acontece.

E vocês, o que pensam?? Vamos lá galera, comentem e participem! É ruim só eu escrever e não saber o que vocês acham. E lembrem-se, façam críticas, correções e sugestões de novos posts. 😉

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Se van de Borracheros!

Há algumas semanas atrás surgiu a oportunidade de conhecer a famosa cidade de Zaragoza. Esta era uma das cidades que estava na minha lista de lugares para conhecer neste intercâmbio. Sobretudo por sua história, que remonta o ano de 24 a.c e também pela sua importância para a atual configuração geográfica espanhola, onde é conhecida por suas lutas contra as invasões mulçumanas e dos exércitos Napoleônicos na Guerra da Independência. Uma cidade com tantas histórias e riquezas como essa, não poderia ficar de fora do meu roteiro.

Entretanto, infelizmente minha passagem por Zaragoza foi somente de 24 horas (até menos que isso). Bom, aí vai o motivo:

Esta viagem foi uma excursão de estudantes Erasmus. Erasmus é um grande programa de mobilidade de estudantes universitários e docentes da União Europeia, onde realizam intercâmbio nos mais diversos países. Dentre os países que mais recebe Erasmus, a Espanha lidera o ranking. São centenas de jovens universitários todos os anos em território espanhol. Mais ainda, dentre as cidades que mais recebem Erasmus, Madrid está entre as primeiras da lista. Desta forma, existe grupos de estudantes Erasmus, que promovem festas e viagens para os estudantes de intercambio, e o que é melhor, a um preço muito barato! Todo mês eles organizam diversas festas em Madri e várias viagens pela Espanha (existe um calendário de atividades para todo o semestre). Em Outubro, a cidade escolhida foi Zaragoza, porque neste mês acontece tradicional Fiesta del Pilar.

Essa viagem para Zaragoza foi de 24 horas; saímos de Madrid as 9:00 horas no sábado e voltamos as 9:00 horas no domingo, sem parar. A viagem incluiu uma “visita guiada” pela cidade, uma entrada em uma boate e o ônibus, pelo preço de apenas 15 €. Agora imaginem a quantidade de Erasmus, foram mais de 300 só de Madri, fora Barcelona, Sevilla, etc. Se não me engano, foram 6 ônibus de viagem saindo de Madri.

Quando saímos de Madri já deu para ver como iriam ser essas 24h de viagem. A festa já começou no ônibus, com muita bebedeira, alguns no corredor dançando, som alto, etc. E ai de quem dormisse; o primeiro que tentasse eles já gritavam: “Aburrido! Aburrido!” (como: chato! chato!). Além disso, eles tinham um Hino Erasmus, que sempre cantavam e o final era: “Erasmus (ou complu) enteros se van de borracheros!!” (que seria: Erasmus inteiros se vão de bebedeira). Complu faz referência a Universidad Complutense de Madrid, onde tem a maior quantidade de estudantes Erasmus.

Depois de chegar em Zaragoza, fomos para a “visita guiada”, onde um estudante que faz parte da organização dos Erasmus em Zaragoza apresentou alguns pontos da cidade de forma muito rápida e ruim, o que não deu para conhecer nada direito. Para resumir, infelizmente só fiquei na vontade de conhecer realmente a cidade.

Vi um pouco das belezas da cidade, como a bonita Basílica del Pilar, o lendário rio Ebro e a muralha centenária, construída para proteger as tropas espanholas das invasões mulçumanas (fotos abaixo).

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Além disso, houveram dois momentos que marcou esta viagem para mim. O primeiro foi quando vi um pouco da apresentação de um grupo que tocavam castanholas (típico da Espanha); Estas apresentações são sempre bonitas, principalmente aquelas que são feitas na rua, para o povo; Esta particularmente me fez lembrar as oportunidades que tive ao ver algumas Folias de Reis em Minas Gerais, em 2008 na caminhada do Re(vi)vendo Êxodos.

O outro momento foi emocionante: estava caminhando pela rua quando de repente escutei uma música tocada no violão, muito suave e calma; não sabia de onde vinha, mas tinha certeza que era uma canção brasileira. Estava desesperadamente procurando saber de onde vinha este som quando de repente viro a esquina e vejo um senhor sentado, com um tripé e uma bandeira do Brasil dobrada em cima. Tocava Velha Infância – Tribalista (pequeno vídeo abaixo). Foi uma sensação incrível, ver aquele senhor tocando música brasileira, no meio das pessoas, fazendo com que a fiesta del Pilar ficasse ainda mais bonita!

A noite chegou e a festa continuou até a madrugada. Quando era 00:00 a maioria foi para a boate, outros estavam caídos de bêbados nas ruas, outros dormiam nas calçadas, etc. Eu e outros tantos preferimos ficar andando pelas ruas. Acho que conheci mais a cidade de noite do que a visita guiada de dia. Além disso, conheci um Espanhol Borracho muito engraçado, que sabia alguma coisa de português e conhecia músicas do Brasil (algumas boas e outras nem tanto), porque viveu em Recife um tempo (vídeo abaixo).

Para terminar, coloco aqui as vantagens e desvantagens que percebi ao fazer uma viagem ou excursão com os Erasmus.

VANTAGENS: Para quem gosta de muita festa, curtição e badalação compensa; O preço também é muito em conta; Você conhece gente de toda Europa (estudantes de diversos países) e pratica qualquer idioma que você quiser (principalmente Inglês);

DESVANTAGEM: Muito pouco tempo, não conhece a cidade direito; A organização prioriza a festa; Muita gente, pouca praticidade e tem que ter paciência; Não tem muita liberdade para sair do restante do grupo.

Espero um dia ter a oportunidade de voltar a Zaragoza para realmente conhecer a cidade de forma completa e não só por uma noite de borrachera!!

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Huega! Greve na Educação Espanhola

Ainda hoje lembro no dia em que falei para meu amigo Rodrigo S. que estava quase conseguindo um intercâmbio para a Espanha, e ele, já com sua análise sociológica (ou antropológica) me disse: cara, o bom é que você vai pegar a Espanha num clima de efervescência, de instabilidade econômica, com manifestações da sociedade e tudo mais.

Bom, desde quando cheguei em Madri, infelizmente por falta de tempo e pela correria do dia a dia não tenho acompanhado de perto como andam as questões políticas e econômicas do país. Entretanto, volta e meia assisto no noticiário e leio em alguns jornais que falam do desemprego e da economia que continua “mal das pernas”.

Nas ruas, as vezes escuto e fico sabendo que teve uma manifestação aqui e outra ali, a favor disso, contra aquilo, e por ai vai. Geralmente são nas capitais que ocorrem as principais manifestações e reivindicações da população. Aqui em Madri, recentemente acompanhei um pouco mais de perto a manifestação sobre a educação pública.

Para contextualizar minimamente, pois como disse, não tenho acompanhado falarei um pouco sobre o sistema de educação aqui da Espanha para a gente entender o porquê desta manifestação.

A educação pública espanhola é obrigatória para todos os cidadãos, mas ela não é totalmente pública. Existe uma taxa de inscrição na escola – por exemplo do Jardim infantil até o ensino médio (aqui chamado de bachillerato). Além disso, os livros didáticos o governo não oferece e são as famílias que tem que compra-los. Estes e outros materiais escolares não costumam ser baratos; há famílias que pagam mais de 1000 € por ano.

A questão da obrigatoriedade aqui é levada a sério. No entanto, o ensino só é obrigatório até os 16 anos (quando chega no bachillerato), depois disso, a pessoa pode fazer a opção que quiser – abandonar, trabalhar. Mas se o jovem tem menos que 16 anos e não está na escola, a polícia ou as autoridades vão até a casa da família saber porque o menino não está estudando, e no caso dos pais estarem impedindo, podem até receber multas e responder processos. Se um aluno deixa de ir 1 ou 2 semanas para a aula a escola liga perguntando o que aconteceu, se está passando alguma coisa com o aluno e se não obtiverem respostas, eles também vão até a casa da família pedir esclarecimentos.

Em relação a qualidade da educação em breve farei outro post só sobre este tema.

Dito isto, voltando o assunto principal do post, com a crise, o governo nos últimos anos vem cada vez mais fazendo ajustes e cortes em vários setores, e como sempre um dos escolhidos é a educação. Os cortes vão desde a educação básica até as universidades. No âmbito de universidade, ano passado diversos professores foram demitidos, as pesquisas estão cada vez mais difíceis porque não há verbas e estão ao ponto até de fecharem alguns cursos ou faculdades (nas cidades pequenas onde supostamente há menos estudantes e professores).

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Aquelas taxas que eu falei anteriormente, estão cada vez mais caras. Por exemplo, a universidade pública que atualmente estudo aqui em Madrid – UPM, cobra uma taxa por disciplina ou matéria. Os preços são variados e depende da quantidade de créditos ou hora-aula das matérias, se tem laboratório ou não, etc. Um estudante de engenharia florestal que escolhe 6 matérias no ano, pode pagar até 2000 € por ano, e se ele reprovar a matricula para a disciplina reprovada é mais cara. Ou seja, a universidade não é totalmente pública! O que é pior, é que não existem sistemas de inclusão ou cotas, seja socioeconômica, racial, etc.

Depois de saber disso, fiquei pensando como uma pessoa pobre faz para estudar em uma universidade aqui?! Parece que só tem um caminho: se o garoto é “bom”, ou seja, aluno “destaque” no bachillerato ele consegue uma beca (bolsa de estudos) na universidade.

Por essas e outras, que há 1 ou 2 semanas atrás houve uma das maiores manifestações com o tema sobre educação aqui na Espanha, mais especificamente sobre a proposta do deputado José Ignácio Wert, na qual propõe uma reforma na educação (lei LOMCE) que inclui além dos cortes, diminuição de bolsas para estudo e pesquisa.Imagem

Em várias regiões da Espanha houveram protestos, com muita gente na rua lutando pelos seus direitos e querendo melhorias na educação. Foi bonito de ver! Haviam pais nas ruas, professores junto com estudantes universitários ou secundaristas e várias frentes da sociedade civil – ong’s, movimentos sociais, associações, etc.

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 Abaixo segue um video da manifestação aqui em Madri:

Fontes e mais informações:

http://sociedad.elpais.com/sociedad/2013/05/08/actualidad/1368031468_320468.html

http://www.elmundo.es/espana/2013/10/24/52684479684341f9558b456f.html

Ley LOMCE:

https://www.mecd.gob.es/servicios-al-ciudadano-mecd/dms/mecd/servicios-al-ciudadano-mecd/participacion-publica/lomce/20130517-aprobacion-proyecto-de-ley.pdf

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Transporte público Madri

Se tem uma coisa que me impressiona e todos os dias me deixa boquiaberto é o transporte coletivo de Madri. Talvez porque trago comigo angústias e sofrimentos do transporte que tive desde que me conheço por estudante. Do entorno de Brasília (Jardim Ingá, Posto Ipê, Valparaiso – GO) até Sobradinho – DF posso dizer que não foi fácil para mim nem para outros milhares de estudantes que convivem todos os dias com esse sistema desumano de transporte da nossa capital. Não é possível contar as diversas vezes que esperava por horas na parada, para depois o ônibus chegar cheio a ponto de você ter que esperar o próximo por excesso de lotação. E sem falar das diversas vezes (dezenas de vezes) que voltava tarde para casa depois de um dia cansativo, para km depois o ônibus quebrar; me deixando em pé esperando o próximo ônibus, e o próximo, e o próximo… Isso porque vivo na capital federal do Brasil, onde supostamente deveria ser o exemplo. É vergonhoso a forma como os empresários e os governantes tratam essa questão, sem respeito nenhum com quem paga os seus salários. Enfim, são tantas histórias, tantos apertos que sem dúvidas poderia escrever uma página só sobre esses anos nos conhecido “Buzão ou Baú”. Mas, como o objetivo deste post é falar sobre o transporte de Madri, vamos em frente.

A minha admiração pelo transporte de Madri é devido a tamanha ousadia e complexidade deste sistema, que possui uma forma muito inteligente e engenhosa para que os cidadãos desfrutem das mais diversas atrações da cidade. Existem 3 formas de transporte coletivo em Madri: Ônibus, metro e trem.

METRÔ

Neste post irei falar com mais detalhe do metrô, pois é o serviço que mais utilizo no meu dia a dia. Pois bem, o metro de Madri possui uma rede de 292,4 km e conta com 300 estações. Digo que abaixo de Madri existe outra cidade, pois estas estações estão distribuídas em 12 linhas (ver esquema abaixo) que se cruzam em diversos locais (estações), de forma que você pode andar por diversas regiões intercambiando de estação a estação, ou chegando diretamente no destino final. Algumas estações também estão interligadas com os diversos trens (Cercanias Renfe) que saem para outras cidades ou países da Europa. Todas estas estações possuem acesso a pessoas com necessidades ou pouca mobilidade (cadeirantes, deficientes visuais, idosos, etc), com piso tátil, elevadores e rampas – inclusive dentro dos vagões. Para o cidadão comum também é muito fácil e prático, pois em todas as estações possuem escadas rolantes (e dificilmente estão quebradas ou paradas, como aquelas da rodoviária do Plano Piloto) e elevadores. No total são 1694 escadas rolantes e 519 elevadores em toda a rede.

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A facilidade também está no acesso e visualização das estações e das linhas. Em todas as estações encontram-se planos de bolso (pocket map – foto acima) com mapas das linhas e estações, informando qual estação tem aceso a trem, aeroporto, shopping, estacionamentos e algumas atrações da cidade (parques, rios, entre outros). Em cada estação encontra-se um mapa geral da cidade de Madri com informações sobre tarifas e horários (ver foto abaixo). Tudo isto se repete também dentro dos vagões, exceto o mapa geral. Todas as informações estão em espanhol e inglês. Essas facilidades proporcionam um conforto seja para o turista que chega em Madri – pois é muito intuitivo e muito fácil – ou seja para os próprios madrilenos.

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A parte principal que eu destaco é a questão dos horários. Em horários de “pico” ou “rush” o intervalo de espera de um metrô para outro não ultrapassa 6 minutos. Geralmente costumam vir até antes deste tempo estimado. As informações do tempo você encontra logo ao entrar na estação, e também na plataforma de embarque (ver foto abaixo). E assim é em toda a rede de metrô de Madrid. Os horários de funcionamento também é uma maravilha. O metrô está aberto desde 6:00 da manhã até as 1:30 da madrugada, de domingo a domingo. Ou seja, todos os dias você tem oportunidade de sair de casa sem preocupar com a hora. Nos finais de semana o tempo de espera aumenta, indo para 10 ou 12 minutos. O que eu admiro é que eles sempre mantêm a qualidade e a pontualidade, até nos finais de semana. 

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Outra questão importante é o valor das passagens. Há dois anos atrás, por causa da crise, houve um aumento nas passagens do metrô. O bilhete simples de 1 viagem agora custa 1,50 , onde você pode andar por muitas estações, e ao sair da estação seu bilhete vence. Estes bilhetes você compra nas diversas maquinas (taquillas) distribuidas em todas as estações (ver foto).

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Há várias formas de economizar na passagem, por exemplo, há um bilhete que se chama 10 viajes, onde você compra por 12,00 e tem direito a 10 embarques. Há outro também que é o bilhete para turista, que você compra um número x de viagens e sai mais em conta.

A rede de metrô é dividida em 3 zonas, A1 B1 e B2 (ver pocket map). Os preços ditos anteriormente são para a zona A1, que é a região mais central. A zona B1 já abrange algumas regiões metropolitanas e portanto é mais caro um pouco: 2,00 .

Existe um cartão chamado abono que pode ser do tipo normal (para pessoas entre 23 e 64 anos) joven (abaixo de 23 anos) e tercera edad (acima de 65 anos). Estes são cartões de passagens tanto para metrô quanto para ônibus e você compra para o mês todo. A vantagem de ter este cartão é que por exemplo, para o abono Joven (o que eu tenho) eu pago 35 por mês e posso andar o mês inteiro em todas estações da zona A1, quantas vezes eu quiser por dia e em todos os dias da semana – de domingo a domingo de 6:00 até as 1:30. Com esse cartão eu posso sair da estação e pegar o ônibus que eu quiser, já que tenho direito aos dois tipos de serviço metrô-ônibus. Bom né?

Com um sistema de metrô deste, as pessoas certamente deixam de andar de carro e utilizam este serviço, que é muito mais vantajoso por estes diversos motivos. A empresa de transporte também conta com boas estratégias de marketing, para que cada vez mais pessoas utilizem o metro. Um exemplo são esses painéis (fotos abaixo) relacionando a distância de sua casa até outros destino de  seu interesse, mostrando que com o metrô você está mais “perto” de tudo.

ImagemImagemÔNIBUS

O sistema de ônibus de Madri também é incrível. O funcionamento é de 24 horas por dia, todos os dias da semana. Os horários também são regulares, com aumento do tempo de espera nos finais de semana devido a diminuição da demanda de passageiros. O valor das passagens são iguais aos do metrô, 1,50  (passagem simples na zona A1). Também tem os bilhetes de várias viagens e os cartões abono, iguais nos metrôs.

Os ônibus são muito confortáveis, todos possuem ar condicionado, corredores amplos e acesso para cadeirantes. Os veículos possuem suspensão a ar e quando se aproximam da parada a altura do ônibus diminui para a entrada dos passageiros, principalmente idosos (que não são poucos em Madri). São todos automatizados com catracas para receber bilhetes ou cartões, e portanto, não possuem cobradores. Todos eles possuem painéis internos para os passageiros, informando a localização, qual a próxima parada e quais linhas de ônibus que passam nesta seguinte parada. Ou seja, todos são rastreados com GPS e informam o tempo e o local exato que você está.

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Outra coisa que me deixou boquiaberto é que quase todos os ônibus possuem internet wifi para os seus passageiros!! Imagine, você está no ônibus – que não está lotado – e ali acessa seus e-mails, facebook, mapas, notícias, previsão do tempo, etc. Isso é realmente muito bom!

Nas paradas, existem painéis informando o tempo de espera do próximo ônibus, as linhas que passam naquela parada e o destino final do ônibus (ver foto abaixo). Além disso, como os ônibus possuem GPS integrados com as paradas, do meu apartamento dá para saber em quanto tempo o ônibus chegará a parada mais próxima, por meio de um aplicativo em tablets ou celulares. Isto significa que já saio de casa sabendo o momento exato que irei subir no ônibus.

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TREM

Em relação aos trens, não tenho muito o que falar ainda, pois só fiz duas viagens de trem até hoje. De qualquer forma, eles seguem os mesmo padrões do metrô e ônibus: qualidade, pontualidade, fácil acesso a informação e preços relativamente baratos.

Essas são minhas observações em relação ao transporte em Madri. Acho que o sistema de mobilidade de uma cidade é importantíssimo e as consequências são enormes para a vida das pessoas. Por exemplo aqui tenho acesso as atividades culturais da cidade (teatros, cinemas, shows), convívio e relações com as pessoas quando vou nas praças e ruas, e ganho de tempo no dia a dia (que é muito importante). Tenho certeza que ao sair as 16:00 em um domingo para ir ao teatro, vou poder voltar as 00:00 sem problema algum. Ou seja, quero mostrar que muitas vezes não fazia estes tipos de programas em Brasília justamente pelas enormes dificuldades de locomoção, na qual dependemos totalmente deste atual sistema de transporte, onde se você não possui um carro, você está isolado de tudo!

Aqui tenho a sensação de que sou respeitado pelas empresas de transporte, que me tratam não como um objeto de bagagem, mas como uma pessoa que merece liberdade, tranquilidade e uma boa qualidade no serviço.

A ideia deste longo post então, era justamente trazer as grandes diferenças do transporte público entre Brasília e Madri. Acho que faltam esforços e vontade de nossos empresários e governantes para melhorar a qualidade do nosso transporte. Espero um dia poder contar também que o transporte de Brasília é um exemplo assim como Madrid e outras cidades da Europa, embora sabendo que isso pode demorar muitos e muitos anos.

Fontes e mais informações: http://www.metromadrid.es/ ; http://www.ctm-madrid.es/

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